
Era um provedor, principalmente de afeto. Era um sonhador, mas caminhava com firmeza no chão pra buscar o pão de cada dia. Não tem fim pra mim o rol da suas qualidades. Deixou-me a herança da poesia, da música, do encanto e da esperança. Deixou-me a persistência na bondade, na honestidade e no desejo de querer saber sempre mais de tudo, principalmente da alma humana. Acho que ele continua sendo tudo isso com muito mais intensidade onde ele está hoje. Sua herança é o meu norte, é a minha sorte, é o meu alimento. Minha saudade não tem fim, apesar de ter certeza de que,de onde ele estiver, olha por mim. Eu trago sempre os seus olhos nos meus pra enxergar a vida com a mesma riqueza com que ele enxergou. Segue uma das suas poesias como uma singela homenagem:
...É NADA
Rasga o véu
desnuda a alma,
pula fora da clausura!
Mergulha em ti,
que no fundo
encontrarás
o teu mundo...
te encontrarás,
criatura!
Depois,
volta à superfície,
e verás quanta imundície
tu confundiste com ouro...
rasga o céu,
liberta a alma.
deixa-a livre,
solta, pura,
que, voando a grande altura,
devassará o universo
e mostrará o reverso
desse teu falso tesouro...
Aí, então, tu verás
- na imersão,
na escalada-
que no cosmo, na amplidão,
só essência,
o resto...é nada!
Cristovão Souza de Carvalho
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