8.8.06

União do Vegetal

Andei falando com minha alma de um jeito muito especial. Já havia experimentado antes essa forma de comunicação e. como percebi a eficiência da coisa, necessitei repetir o processo nesse atual momento. O principal motivo foi o fato de estar excessivamente "Ou isto ou aquilo". Não aguentava mais estar perdida em , no mínimo, duas opções a respeito de coisas que exigem uma definição, com o risco de, se assim não for, nos fazer pirar de vez, surtar. Soou o alarme e eu decidi: preciso da ajuda dos vegetais pra saber realmente o que a minha alma necessita pra ficar em paz. O mariri e a chacrona me despertam a anlogia das parcerias para que as coisas sejam geradas, sejam fecundas e fertilizem a terra de diversidades. Juntos eles formam a ayahuasca, o chá que possibilita o contato com aquilo que em você precisa ser visto, mas que a couraça construída não permite ver. Foi fantástica a viagem. Sensações que ficam bastante empobrecidas quando verbalizadas, mas que tentarei transmitir, ainda assim. Cada um vive algo único, que faz sentido apenas pra si mesmo, pra seu processo de vida, portanto a leitura é extremamente particular. Pra mim o mais interesante é ouvir as respostas que busco em imagens fantasticamente elucidativas, junto com explicações de guias que escutam os meus pensamentos.
Fiz uma viagem através dos elementos da natureza numa velocidade espantosa e pude perceber conexões de tudo com tudo. Entrei num templo sagrado que guardava histórias de um passado importante para mim e conheci uma escola no mundo sutil que fortalece a quem trabalha no campo da educação. Rostos alegres me recebiam e esclareciam questões que eu trazia no coração. Vi grupos de ajuda que bailavam em movimentos de tamanha beleza e expressão e se definiam como auxiliares do meu processo existencial. Mergulhei em mares ricos de seres encantados, vooei sem medo de cair e pude ouvir que, em muitos aspectos da minha vida onde o temor ainda aparece, eu não preciso mais temer, já posso voar. Outras perguntas mais íntimas foram respondidas e questões foram esclarecidas. Um espetáculo visual de cores e formas e sons, me mostraram o quanto o universo é rico e o quanto podemos criar de beleza pra enfeitar o mundo. Isso é o que consigo dizer, mas podem ter certeza, é muito pouco, principalmente pra traduzir a transformação que se passa interiormente. Voltei com olhos mais atentos, ouvidos mais sensíveis e mais perto da minha alma. Que Deus me ajude a permanecer nessa leveza.

5.8.06

Lilás!

Lilás! Se se cansou de se arrastar como uma eterna lagarta, se já não cabe mais velhos conceitos...Lilás! Pra transformar o acúmulo, quando já chegou ao cúmulo de encurvar as costas, quando tudo tá muito nhem nhem nhem...Lilás! A receita é simples e diferente para cada um, mas o efeito é uma varredura no que entulha a vida, no que aprisiona com medidas menores do que a alma. Lilás, pra mudar com calma, com suavidade e para sempre, mesmo que o sempre seja daqui a dois minutos. Lilás pra contatar com os anjos, com os sonhos e projetos incompletos.Lilás pra acabar com a coleção de amores impossíveis e possibilitar um novo e grande amor. Lilás pra que tem pavor do tédio, do remedinho repetido em doses exatas, na hora certa; pra quem teme banhos de chuva, desmanchar cabelos, manchar a maquiagem. Lilás pra quem quer seguir viagem em busca de si mesmo, pra quem quer encarar o espelho e , finalmente, dizer: eu me amo!

2.8.06

Luz na escuridão

Mais um dia de vivência num espaço dito de educação. Esforço-me para não me perder dos propósitos estabelecidos pela minha alma. Um paradoxo: em meio ao desespero, espero. Na realidade lúgubre eu escolho vislumbrar o sol. É assim que uma alma planta uma semente. Num solo condenado, num clima social condenante, grãos de esperança são lançados sem nenhuma garantia de que vingarão. Mas esse é o trabalho de quem confia numa verdade poderosa: originalmente somos perfeitos, brilhantes, divinos!Uso palavras que não são as que eu gostaria de pronunciar, mas são as que conseguem fazer sentido dentro da realidade de seres que trazem uma marca de dor, de descaso, de indesejo(essa palavra existe?). Entretanto, enquanto falo, permaneço em contato com a intenção que tenho. Falo o que pode encontrar correspondente na linguagem de um contexto de abandono, de ausência de reverência ao humano e à vida como um todo. Acredito, porém, que o que toca é o meu desejo interno de acertar um alvo: o coração, a casa dos afetos, dos brinquedos, da alegria. Quero mostrar que não há obstáculos para a grandiosidade de uma alma dotada de todas as qualidades de um Pai infinitamente amoroso, misericordioso, perfeito.Se não acreditar nisso me retiro. Sem encanto não há como tocar um outro ser. No fim de tudo o mais importante não são as palavras, as classes gramaticais, as operações matemáticas e tantas coisas mais,mas as pontes que tudo isso faz para chegar até um terreno íngreme e transformá-lo num jardim, ainda que seja de uma só flor.Que bom que eu sei que a vida não é só o que se apresenta aos meus olhos! Só por isso eu encontro sentido em tudo o que faço e desacredito no que vejo, pra vislumbrar o invisível em tantos seres aparentemente condenados por um sistema que coloca todos os obstáculos possíveis para que um professor desista de exercer com dignidade o seu ofício; para que um professor não resista à canseira a que é submetido todos os dias; para que um professor não suporte o derespeito com que é tratado pelos que governam o nosso país, criando "projetos", "benefícios", como se prestassem um favor a seres inferiores. Seres que precisam ficar na ignorância para não terem consciência dos direitos que posuem, para não terem acesso a leis que não são cumpridas e continuem achando que o bolsa família e outros paliativos são bençãos recebidas .Um ser humano é muito! É dotado de capacidade infinita! Não há porta que não possa ser aberta pela força da vontade de um homem, porque um homem é uma alma, e uma alma é vasta, é forte, é luminosa, é divina! Não quero esquecer disso nem por um segundo. Eu sou uma alma que lida com outras almas. Tenho um deus interior que me guia e a minha principal função é despertar esses outros deuses adormecidos. Não há obstáculos para deuses!

1.8.06

Pra aliviar o coração


Hoje eu ouço um canto que não cessa, visualizo um sorriso de menino e lamento um destino que poderia ter sido melhor. Mas quem sou eu pra saber o que é melhor? Quem sou para entender os mistérios dos caminhos escolhidos por cada ser? Sou um mistério para os outros, tanto quanto eles o são para mim.
Alguém que fez parte da minha vida se foi, mudou de dimensão. Escolho escutar uma canção e guardá-lo assim : cantando. Penso que lembrá-lo fazendo o que mais amava fará com que os anjos se encantem, tanto quanto eu me encantei e corram para cuidar das suas feridas que a vida deu. Penso que a sua voz vai se espalhar pelo ar e acordar sonhos que só a música é capaz de despertar.
Quando alguém se vai o filme passa em nossa mente e, acredito, que esse próprio filme é utilizado como semente pra uma construção de uma nova vida. Lembrarei palavras doces, canções que me foram dedicadas, sorrisos, piadas e a voz de um cantor que muito sonhou em ganhar o mundo.
Como a vida continua , tudo pode ser revisto, refeito, reinventado, mesmo do outro lado, e eu oro pra que ele possa acordar e fazer brilhar a sua luz. Um dia eu pude ver o seu brilho e só quero lembrá-lo na luz, pois luz é o que verdadeiramente somos. No momento a tristeza toma o coração, mas vai passar, assim como a sua dor também vai.
-Deus, chegou aí um passarinho cantador, precisando de cuidados. Tenho certeza que em seus braços ele recuperará o canto e a vontade de viver.