2.9.10

Eu e o Tempo


Parece pouco... Experimento apenas agora certas sensações... Sentar ao computador ouvindo uma música que me embala a alma e respirar o meu ar...! Simplesmente isso! Tudo isso! Parece pouco, mas meu tempo não me pertencia quando era meu. Meu tempo corria duas vezes, já que o tempo sempre corre, mas corria para outros tempos e espaços que eu julgava ter prioridade na minha preferência de uso. Agora desfruto do prazer de escolhas básicas que as pessoas mais normais fizeram na adolescência e, talvez por isso, ando tendo espinhas no rosto. Outro dia alguém sinalizou e respondi:- É a adolescência. Sorri por dentro, sabendo que coisas novas aconteciam com minha alma que refletiam no meu corpo. Meu tempo, que é de Deus, é, quando ele me permite, também meu. E acredito que ele anda gostando das minhas intervenções e tem me dado a sensação de que ainda me resta muito tempo para ser feliz, ir viver o que ficou preso na garrafa da minha vida. Agora tenho tentado exercitar fazer os pedidos ao deus-tempo e parece-me que o ouço responder:- Seu desejo é uma ordem! Tenho me ordenado a fazer a minha vontade e, graças ao esforço e compromisso com o meu crescimento interno, minhas vontades não agridem a ninguém nem causam desequilíbrio ao meio-ambiente.
Dizem os sábios que o tempo cura todas as dores, mas é necessário que aceitemos a sua atuação, que confiemos nos seus remédios, às vezes tão amargos e o deixemos fazer o seu trabalho. Como as estações. Temos as nossas estações e, algumas vezes prolongamos nossos invernos. Baixamos a temperatura a graus insuportáveis para que façam campanha para nos dar abrigo de um frio que nós mesmos criamos e do qual devemos ser o abrigo que protege. O tempo muda, mas o nosso coração estabelece outro tempo todo próprio e, muitas vezes, quando a natureza se mostra exuberantemente vestida de flores ele só enxerga o cinza que o encobre. O coração é um relógio sem ponteiros. Suas batidas podem evidenciar que um corpo vive, mas se a alma chora o coração se recolhe como morto e o corpo pesa.
Parece pouco... mas meu tempo tem passado de uma forma melhor. Tenho observado mais as estações e isso tem feito diferença em minha vida. Quando estamos alheios a tudo, perdidos em nós mesmos, em nossas questões internas é como se tomássemos uma rasteira do tempo. Quando, porém pegamos nosso tempo nas mãos vamos conduzindo-o com os nossos movimentos ritmados com os ponteiros e, às vezes, chego a ter a impressão que ele dorme um pouco para que algo que desejo aconteça a tempo de não se perder.
Dou as mãos ao tempo e até consigo enxergá-lo tão bonito quanto o Caetano o descreve em sua música. Desde que senti minha alma mais livre que tenho tido a coragem de olhar pra o tempo e acreditar que ele é mesmo o bálsamo para todas as dores que queremos curar, pois nos permite a sobreposição de imagens que modificam magicamente todo o cenário da vida. Perco tempo a falar do tempo. Ganho tempo com isso. Parece pouco, né? Mas é tanto que nem sinto o tempo passar!

7 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

O tempo, ah, o tempo...Existe ou não existe? Não sei, mas concordo que é sempre tempo de ser feliz...Dá as mãos ao tempo é uma sábia aliança...
Beijos

Jorge Pimenta disse...

a propósito do tempo: nomear as coisas é trazê-las para junto de nós, ganhar-lhes os olhos e torná-las figuras das nossas telas, sem medos e receios. o tempo precisa de ser olhado de frente para despir o manto da altivez.
um beijo!

Arnoldo Pimentel disse...

Muito bom seu texto, o tempo é feito para caminharmos com ele.Beijos

Arnoldo Pimentel disse...

Tem selos de presente pra você no meu blog
http://ventosnaprimavera.blogspot.com
passe lá e pegue, beijos

Edson Marques disse...

Rita,

Belíssimo texto, o teu!


Que bom que você gostou do meu poema Mude, conforme teu comentário deixado no blog da Silvana : http://blogdasilnunes.blogspot.com/2010/09/mudanca.html#comments

Acontece que esse poema não é de Clarice Lispector!

Mude,
mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a velocidade.

Livro Mude já publicado pela Pandabooks, com prefácio de Antonio Abujamra.

Detalhes no meu blog www.Mude.blogspot.com

Abraços,

ju rigoni disse...

Um lindo texto que convida à reflexão. Muito se aprende com o tempo, especialmente quando não há a ânsia insana de tentar apreendê-lo. Respeita-se a própria natureza quando se compreende que a natureza do tempo é passar...

Muito bonito, Rita. Bom fim de semana. E inté!

Sílc disse...

Lindo ve-la assim proseando com todas verdades que possue. Amei seu Texto. Tem muito da minha pessoa nele também. Me senti entrelaçada em determinados contextos.Principalmente a penúltima parte Parece pouco...rasteira do tempo... aprendendo a conduzí-los sozinha e com nossas cores, apreciamos mais o tempo que agora nós que o direcionamos.Obrigada.
Fica aqui um convite com profundo respeito:
Nova Postagem na minha Casa.
Espero sua visita, e um retalho se desejar. Será uma honra saber que passeou por lá.
com amor e carinho,
Sílvia
http://www.silviacostardi.com/