10.3.10

Tempestade


Ah, se eu te disser o que eu faço
Com esses laços que envolvem
O teu e o meu ser
Você não agüentaria ver
Tanta água rolando rio abaixo
Tanta gruta em que me encaixo
Misturando à natureza o que se vai com a correnteza
E fica banhando a pele
A cada vez que passa.
É de achar graça e de sofrer
Não viver a tempestade que invade
Balança o tempo e revira sentimento
De embrulhar o estômago.
Você não pode ver
O que não posso lhe mostrar;
Não pode experimentar
Ser arrastado pelo vento,
Dançar na chuva da vida até o sol poder brilhar.
Desato os laços então
Pra lhe deixar seguro
E sigo no escuro
De uma noite sem lua
Lançando-me à tempestade da vida
Com a alma nua.

Um comentário:

Tânia regina Contreiras disse...

Desatar os laços para deixar seguro...É bem isso: sem laços e sem nós os vôos são possíveis!

Beijos